Tuesday, July 25, 2006

Saudade de um tempo que não volta...

Sempre que passo pelo Rio Vermelho e vejo o sol se esconder atrás da casinha de pescadores, onde acontece o famoso 2 de fevereiro, sinto uma paz inexplicável. O ar daquele pedacinho da cidade é diferente. A cor do cenário entranha em minha mente como um lance de hipnose.

O mar. Ah, aquele mar! Fez a juventude de minha vó, a infância de meu pai e a minha também únicas. Poucos já puderam nadar naquelas águas hoje poluídas. Eu nadei, brinquei na areia, vi os barquinhos dos pescadores chegarem cheios de peixe. Os que eu mais gostava eram as pititingas. Coisa de criança! Amava sentar na balaustrada com minha vó e minhas primas para admirar a paisagem, o cheiro de maresia, o vento nos cabelos.

E a pequena igreja!? Duas culturas religiosas diferentes se fundindo num mesmo espaço. De um lado a casinha de pescadores com uma estátua de Iemanjá. Do outro a igreja católica que eu fazia questão de correr por dentro com um grito inocente e juvenil.

Mas tudo isso não seria permitido se não fosse a “casa velha”. É. Aquela que minha avó morou por cerca de 50 anos. Aquela que meu pai foi criado, aquela que viu minha infância nascer e desaparecer. Ah, a casa velha! Quantos momentos nela, quantos mistérios em seus quartos sem janela, no forro longínquo de madeira. Nas baratas que para mim pareciam dinossauros assustadores. O corredor imenso que não parecia ter fim, mas que foi diminuindo a medida que eu ia crescendo.

Tomar banho com chuveiro à gás era uma loucura! Minha vó estava sempre preocupada com a possível explosão que nunca aconteceu. A banheira de louça, sei lá, parecia assim para mim, branca! Uma pia no meio da sala de jantar, pequena, no cantinho. Memórias de criança!

Brincadeiras infinitas, pés descalços, tomando o todinho da vovó! Lembranças de Criança! Na varanda na frente da casa, camarote para a festa de Iemanjá, camarote para o por-do-sol mais lindo que já vi. Fins de tarde intensos e belos. Carros passando, ônibus como latas de sardinha, cheios de gente! Mas o por-do-sol. Este sim!
Lembro também quando o papa João Paulo esteve na cidade. Foi desta varanda que acenei para ele. Foi nesta rua que o vi passar.

Rio Vermelho, lugar de encontros. Lugar onde meus pais se conheceram. Ali, no Largo de Dinha, se apaixonaram, casaram. E o que não poderia deixar de ser se encontraram por a caso na “casa velha”. Foi pelos vidros quebrados da janela que meu pai espiava minha mãe na clínica em que ela trabalhava, bem do lado. Coincidência? Não. Destino. E era para a casa velha que minha mãe procurava aflita meu pai, que a observava escondido!

Pois é! Este cenário! Marcou a minha vida. Aliás, gerou minha existência, meu nascimento!

Saudade!

Ah, aquele por-do-sol!

Saturday, July 08, 2006

Louca Tempestade

Ana Carolina
Composição: Totonho Villeroy e Bebeto Alves

Eu quero uma lua plena,
eu quero sentir a noite,
eu quero olhar as luzes
que teus olhos não me têm deixado ver...
agora eu vou viver

Eu quero sair de manhã,
eu quero seguir a estrela,
eu quero sentir o vento
pela pele um pensamento me fará...
uma louca tempestade

Eu quero ser uma tarde gris,
quero que a chuva corra sobre o rio.
O rio que por ruas corre em mim,
as águas que me querem levar tão longe...
tão longe que me façam esquecer de ti

Eu quero partir de manhã,
eu quero seguir a estrela,
eu quero sentir o vento
pela pele um pensamento me fará...
uma louca tempestade

Eu quero uma lua plena,
eu quero sentir a noite,
eu quero olhar as luzes
que teus olhos não me têm deixado ver...
agora eu vou viver

Eu quero ser uma tarde gris,
quero que a chuva corra sobre o rio.
O rio que por ruas corre em mim,
as águas que me querem levar tão longe... (2x)
tão longe que me façam esquecer de ti

É interessante como algumas pessoas deixam de fazer coisas que amam para ficar enterradas, literalmente, em uma relação amorosa. Conheço pessoas que se anularam muito por causa de alguém e só descobriram depois de um bom tempo a burrada que estavam fazendo. Primeiro porque para elas só existia um mundo: aquele que girava em torno do seu amado. E, segundo, porque abria mão de tudo e todos para estar ao lado dele.

As pessoas conseguem sobreviver em inúmeras situações inóspitas, mas há uma em que se torna insuportável a sobrevivência. É quando conseguimos tolher a nossa própria alma. A essência está lá, mas amputada.

Pessoas como estas passam a sentir uma grande dependência do companheiro e da relação em si e, quando tudo acaba, parecem que foram jogadas no meio do oceano. Nessa hora elas precisam procurar a direção certa para nadar e chegar até a costa. Parece piegas, mas é assim mesmo que muita gente se sente. Perdido!

O que faço ao acordar? Para quem ligar? Com quem sair no Domingo? Perguntas como estas são feitas inúmeras vezes por essas pessoas que procuram no outro o que não encontram em si mesmos. Não sabem quem realmente são e se deixam levar pelo outro numa tentativa de se descobrir ou simplesmente porque tanto faz! Acabam sendo guiados na relação, não tomam nenhum tipo de decisão e em geral, não são valorizados. O que não é uma surpresa! Ninguém admira alguém que não se impõe e não sabe o que quer, nem quem é!

Não sei que nome dar a esse fato, mas antes de tudo temos que descobrir quem realmente nós somos, o que gostamos, o que não gostamos. O que queremos, onde queremos chegar. Faça essa pergunta todos os dias. Quem eu sou realmente? Some todas as qualidades, defeitos, gostos, manias e faça um balanço de sua pessoa. Dessa maneira você saberá quais são seus limites e não deixará que ninguém os invada de novo. Conhecerá seu espaço no mundo!

Friday, June 30, 2006

Depois de tanta insistência resolvi atualizar meu blog...
O dia não é dos melhores, mas são neles que escrevemos com a alma e a inspiração aflora com mais facilidade...

Há muito tempo não sabia o que era estar na companhia de amigos... Sorrir com eles, deles e de coisas mais imbecis ou triviais...

Se tem uma coisa que descobri nesse tempo de turbulência na minha vida é que é muito bom e essencial ter amigos. Dos mais diversos tipos.

Tenho amigos para tudo e todas as horas...
A começar dentro de casa. Não existem pessoas que me amem mais do que as da minha família. Sentem tudo o que sinto, choram e riem comigo, sentem raiva quando alguém não me faz bem, enfim!

Minha mãe é especial! Está do meu lado em todos os momentos... Me liga várias vezes ao dia só para ouvir minha voz e se acalmar por ver que estou bem... Posso contar com ela em tudo. Seu olhar diz tudo e ela é tudo na minha vida. É minha cúmplice, conselheira, mãe e principalmente amiga!

Meu pai, meio calado, sabe dizer exatamente o que você precisa ouvir e na hora que você precisa ouvir. Integridade é o nome dele. Paciência, equilíbrio. Amo-o muito e não posso expressar o quanto neste texto!

Meu irmão também!!! Com apenas 19 anos tem um caráter inabalável e acima de tudo é meu amigo. Apesar de ser chatinho às vezes!

Minhas amigas queridas que me acompanharam em vários momentos... não vou citar todas porque corro o risco de esquecer de alguma. Conto com vcs para a eternidade. Pessoas que me apóiam independente de minhas decisões e me dão força em cada burrada que eu faço...

Amigos de festa... Por que não? Fazem a minha vida mais doce, pois é com eles que dou risada, passo da conta na bebida e fazem a história da minha vida mais divertida!!!

Novos amigos são maravilhosos também!!!

E os reencontros também são fantásticos.

Enfim, quero dizer que minha vida não era completa..... Apesar de eu achar que era... Eu não tinha mais a companhia de meus amigos. Pessoas que querem estar comigo apenas por estar. Sem interesse e com a melhor das intenções...

Amo vocês e não quero mais perder isso por nada na vida!!!!

Monday, May 29, 2006

Quem tem filho grande é elefante

Essa é uma célebre frase de uma amiga minha... Não me contive e caí na gargalhada, não só pelo fato dela ser realmente hilária, mas porque na vida real ela faz sentido.

Acho que todas as mulheres que amaram pelo menos alguma vez já foram mamães elefantes e trataram seus homens como se fossem seus ou precisassem delas.

É incrível como muitos deles transferem certa referência materna para as namoradas, mulheres, companheiras... Amor, pegue minha toalha! Amor, faça meu prato! Amor, amor, amor!!!

Ai, fazer certas vontades até toleramos, porque também gostamos de ser bajuladas, mas ser segunda mãe... Tenha paciência!

Pode-se elaborar uma tese razoável: Mãe é a mulher mais importante para qualquer indivíduo. Se somos comparadas às mães, ou fazemos papel delas, somos muito importantes...

Mas na prática isso não funciona. Primeiro porque mãe está ali para servir os filhos e acho que no amor todos têm que servir e se servir de bandeja...

Segundo, não queremos carregar ninguém nas costas, se não teríamos nossos próprios elefantinhos ou compraríamos um cachorro para depender cada segundo da nossa existência.

E terceiro e último lugar por que para ser mãe deve-se estar em um pedestal, ser idolatrada pelo filho. Filho não come mãe e isso é um problema grave...

Bem queridos filhinhos... Ou elefantinhos... Queremos ser amigas, amadas, amantes e só!

Sunday, May 21, 2006


Recomeçar...

Essa palavra muitas vezes assusta. As mudanças são encaradas de forma negativa quando estamos acostumados com aquela vida. Assustam porque todos nós temos medo do desconhecido. Quem não tem medo da morte? Mudança significa a morte de uma etapa já consolidada.

Difícil é. Impossível, não! Mas dizem por aí que as coisas conseguidas com sacrifício são as que mais valem a pena na vida.

Para recomeçar é preciso, essencialmente, estar aberto às novas possibilidades... É olhar em volta e começar a enxergar a vida com outros olhos e se permitir sorrir.

Por isso estou aqui escrevendo o que penso. Para dizer a todos que e estou recomeçando a viver... ou pelo menos em processo de mudança.

Que o meu novo eu guarde a essência de tudo de bom que já construí e me permita corrigir os erros. Afinal, “vivendo e aprendendo a jogar, nem sempre perdendo, nem sempre ganhando, mas aprendendo”...